terça-feira, 6 de agosto de 2013

Curso ensina a história dos quadrinhos



"A HQ, como qualquer forma de manifestação artística, permite fazer uma leitura da sociedade em que vivemos".
É com essa afirmação que André Luís Sanchez Cezaretto, mestre em história social e especialista em histórias em quadrinhos, justifica a importância do curso De quadro a quadro: uma história das HQs, que ministra de hoje a sábado,  na Caixa Cultural.
As aulas fazem um panorama histórico que aborda desde as origens, com a caricatura, a charge e a tira, até suas características na atualidade.
"O objetivo é fazer uma trajetória das histórias em quadrinhos no mundo e no Brasil, até o século 21", afirma o professor.  A ideia é mostrar que as HQ permitem um diálogo entre suas histórias, o público leitor e a vida social, indo além do simples entretenimento. 
 
Histórias adultas - Os estudos acadêmicos passaram a se interessar pelas HQs na década de 60. A publicação de obras adultas, nos anos 80, como Contrato com Deus, de Will Eisner, e Presente, de Alan Moore, contribuiu para que as histórias em quadrinhos fossem vistas com uma maior profundidade.  

"Antes, a história em quadrinhos era considerada  voltada apenas para  crianças. Sua linguagem era vista como pobre e as obras apenas como entretenimento", comenta.
 
HQs no Brasil - Existe uma íntima ligação entre a imprensa e os artistas que produzem gibis no Brasil.

"Muitos artistas, antes de terem suas próprias histórias publicadas, trabalharam na imprensa. O ritmo diário da imprensa dá um subsídio muito grande a eles", explica André. Chargistas como Angeli, Laerte, Henfil e Glauco são exemplos.
Embriões das HQs no país, as charges são permeadas por elementos de crítica e humor. "A produção de charges, desde a década de 1860, tem como elemento o humor e a crítica social. A charge é usada como forma de combate", explica.
Efetivamente, a produção brasileira se deu com maior significância em 1960, com os gibis de Maurício de Souza e as revistas de Ziraldo. "Aconteceram tentativas anteriores, mas havia uma dificuldade dos autores nacionais em conseguirem destaque. Era algo muito raro, tudo era importado", relembra André.
A  premissa do curso é  de que há uma profunda relação entre as HQs e o período em que foram produzidas. As aulas também vão abordar, além da trajetória dos quadrinhos,  a análise das linguagens específicas, desenvolvidas pelos quadrinistas  para a criação das narrativas.

Serviço

O quê: De quadro a quadro: uma história das HQs
Quando: Desta terça-feira, 6, a sexta, das 19h às 21h, sáb, das 10h às 12h
Onde: Caixa Cultural Salvador, Rua Carlos Gomes, 57, Centro
Quanto: As inscrições são 1 kg  de alimento não perecível
Informações: (71) 3421-4400

PUBLICADO NA TARDE

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